segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Amor de Ostra

(v.)

Eu vivi uns poucos amores, a maioria sem muito bambu na costura. Entendo de poucos, mas imagino de uns tantos. Outro dia ouvi falar em amor-de-ostra. Paradoxo até: amor seria se ostra não fosse. Desse signo padece o caboclo fechado, concha impecável, concha de crosta; não abre nem por reza-brava-nosso-senhor. Vez em outra, um chupim,ou grão de areia mal-criado, lá pra dentro consegue entrar. Vira estorvo, moléstia, amigdalite de sal, tira paz d’um Pacífico inteiro. Ostra passa tempo em doloridade, não tem sustança por dentro, quase água. Ostra se fecha ainda mais forte. E, pros incômodos de dentro, lança madrepérola. Faz do machucado pedra roliça e eterna. Não devolve mais.

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